o portismo 2.0 e o futuro do meu, irracionalmente amado, Sporting

Hoje escrevo, passado demasiado tempo, motivado por um simples vídeo, de uma disputa entre dois adeptos do fcp lá no centro comercial das redondezas, aquando do jogo entre fcp e slb. Para quem não viu, faz favor (vale a pena):

http://www.youtube.com/watch?v=Oh_O78otkNk

Isto é interessante, pois mostra as duas faces do portismo actualmente existentes.

A primeira, personificada naquela besta arrogante que expulsou os lampiões e que acabou por levar aquele brutal banano, é o portismo primário, o tripeirismo acéfalo, a representação clássica daquele bairrismo exarcebado, completamente idiota, de que temos de ser do clube da terra, mesmo que o mesmo jogue só com estrangeiros ou recorra a putas e vinho verde para alcançar a glória. É aquele orgulho de pés de barro, que justifica tudo e mais alguma coisa, mas que toda a gente sabe, bem lá no fundo, mesmo sem reconhecer, que não vale nada.

A segunda, bem mais preocupante no que concerne à actual força nacional do fcp, é o portismo da nova geração, é o portismo não tripeiro, aquele que foi conquistando adeptos à custa das sucessivas vitórias e da bipolarização do futebol tuga, muito às custas do meu Sporting. É o portismo tolerante, que respeita e até preza as rivalidades pois sabe que costuma sair por cima. E que gozo dá sair por cima e ter ao lado com quem gozar. Porquê banir o meu inimigo se posso gozar com ele?

O que este vídeo nos mostra é o KO do portismo primário face a este novo portismo que surge, e que já não é do porto, nem mesmo do norte, é de todo um país, de todo um povo, aqui e além fronteiras.

Este é o portismo que conquista, ano após ano, o lugar do meu Sporting, o Clube de Portugal. Obviamente que o portismo primário, por muitos títulos que o fcp conquistasse, jamais conseguiria o mesmo. Este é o portismo que destrói o Sporting e que torna a sua actual condição dramática.

É que, meus caros, por muito competente que seja um clube, a sua verdadeira força reside na sua massa adepta e isso é incontornável. O fcp, ao longo dos últimos 30 anos, e independentemente de como, conseguiu transformar a competência em massa adepta, e essa hoje é a sua grande força. Já não é o pintinho, nem aquele portismo de bairro que costumamos caricaturar. A verdadeira força do fcp reside nos seus adeptos espalhados um pouco por todo o mundo português, e que, estou plenamente convicto, já superam, de forma considerável, os adeptos do meu Sporting.

E isto é um drama para o Sporting, não só pelo que significa por si só, mas sobretudo porque me parece que se continua a tentar ignorar esta triste condição e acreditar numa grandeza que, sinceramente, já não é a mesma.

Obviamente que resistir a 30 anos de miséria com tantos adeptos revela que o Sporting continua a ser um grande clube, mas a pergunta é inevitável – até quando? É possível continuar a ser um grande clube de futebol daqui a 10 anos se mantivermos estes níveis competitivos?

A inevitável travessia do deserto que teremos de fazer será, pois, o momento mais importante da vida deste clube e poderá corresponder a dois cenários. Ou a definitiva menorização ou o ressurgimento deste clube que tanto representa para a minha vida e para a de tantos outros.

E porque a razão desconhece isto do futebol, e a alma tudo alimenta, apenas posso acreditar no ressurgimento, como é óbvio.

E atendendo ao estado actual das coisas, e perdoem-me aqueles que acham que isto é pensar pequeno, para mim será o mesmo que ganhar uma Champions. É que nos tais domínios que a razão desconhece, e por muito que goste do jogo da bola por si só, dificilmente algo dará mais gozo à minha alma leonina do que voltar a ver a simples declaração de emancipação de um qualquer puto desta vida perante a mãe vermelha, de sofrimento, e o pai azul, de raiva – sou do Sporting!

Que assim seja.

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Morte ao Sporting Lisbon

Recebi ontem à noite um email do nosso clube com as instruções para poder votar nas eleições do mesmo, talvez as mais importantes da sua história.

Apesar desse “talvez”, o que este email indica é que a malta se está a cagar, literalmente, para os parolos que moram fora da AML.

Além do processo ser uma anedota, a forma como o email está escrito, quase como se nos estivessem a fazer um favor, enviando depois a declaração e os votos na mesma imagem… Enfim… Ridículo é muito pouco para descrever isto.

E por isso mesmo reitero – Morte ao Sporting Lisbon! Morte! Que renasça o Sporting Clube de Portugal! Rapidamente!

 

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Uma imagem vale mais do que mil palavras. Sem dúvida.

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Sem dúvida.

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A propósito do Milan-Barça

transcrevo um excerto do posto do Nuno, do Entre Dez, que, independentemente do jogo em questão, merece ser recordado, pois é muito verdadeiro, aliás, cada vez mais verdadeiro:

Infelizmente, em futebol, continua a preferir-se a arruaça à excelência: era assim há umas décadas, é assim nos dias de hoje. Quanto mais penso nas diferenças entre o futebol de alto nível e o futebol de bairro, mais certezas tenho de que, pelo menos no que diz respeito a quem assiste ao jogo, é tudo a mesma coisa. A maioria dos adeptos de futebol é um adepto de bairro; tem tanta inteligência e tanto bom senso quanto a mãe desdentada que pragueja contra o árbitro por lhe ter expulsado o filho por este ter cuspido em três adversários, ou quanto o bêbedo que se debruça para acertar no fiscal de linha com um guarda-chuva. Para a maioria dos adeptos de futebol, desde que o resultado final seja o que desejam, tudo é permitido. Por eles, a vitória devia ser dada por estipulação, antes sequer de haver jogo. Por eles, não havia sequer jogo; havia só vitórias. A maioria dos adeptos de futebol não gosta de futebol; gosta que lhes aconteça o que lhes dá prazer. Vão ao futebol porque, vivendo em civilização, é dos poucos meios que têm para serem os arruaceiros que afinal são. A maioria dos adeptos de futebol pertence por natureza, ainda que não por lei, a um curral. Era a chafurdar que deviam passar os seus dias; não em estádios.

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Michael Thomas, um bom presidente para o Sporting

No meio de toda esta merda, parece-me, cada vez mais, que tudo se resumirá  à existência de uns valentes colhões.

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Perguntas aos candidatos. Sobre a nossa Identidade.

Aproveitando o repto lançado pelo grande Cherba através do Cacifo do Paulinho, estas são as questões que colocaria aos candidatos, todas relacionadas com a nossa identidade:

- Qual a identidade que pretendem para o Sporting Clube de Portugal? Estão dispostos a assumir, definitivamente, a identidade do clube como sendo de Portugal, transversal a todos os portugueses espalhados pelo país e pelo mundo, sem distinções regionais, cortando definitivamente com a ideia, cada vez mais frequente, de sermos apenas um clube de Lisboa?

- O que acham da ideia, semelhante ao Athletic Club mas à escala portuguesa e menos restrita, de o plantel principal de futebol do Sporting só poder contar no máximo com 5 jogadores estrangeiros não formados no clube? Não acham que a afirmação desta identidade (que até poderia incluir jogadores de países africanos lusófonos, atendendo à projecção do clube nesses países), poderia ser um motivo acrescido de orgulho, tornando o clube mais atractivo não só para os jogadores portugueses/lusófonos mas também para os adeptos portugueses/lusófonos que procuram identidades distintas do clássico “bairrismo” ou “regionalismo”?

- Atendendo a que hoje em dia as boas ideias são facilmente replicadas, o que significa que em termos de estratégia de gestão dificilmente se alcançam modelos muito distintos entre clubes (a competência está nas pessoas…), não consideram que esta marca diferenciadora relativamente aos outros grandes clubes (cuja designação é eminentemente local/regional) pode ser um grande activo e, como tal, deverá ser explorada como linha de orientação estratégica?

- Estão dispostos a assumir que o FCP, atendendo aos resultados desportivos das últimas décadas no futebol, é o principal adversário futebolístico do Sporting Clube de Portugal? Não acham que, atendendo à grandeza do Sporting Clube de Portugal, os principais adversários devem ser sempre os melhores, ou seja, os que terminam no lugar que ambicionamos, o primeiro, e não o vizinho do lado, independentemente do lugar que ocupa, por muito grande que seja a rivalidade (e que deve continuar a ser)?

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Bruno de Carvalho, o Anticristo

Ainda há pouco os órgãos sociais do Sporting se demitiram e, como é perfeitamente natural, já surgiram os primeiros nomes.

À cabeça temos Bruno de Carvalho. Incontornável.

Podia usar aquele chavão, “amado por muitos, odiado por outros tantos”, mas acho uma idiotice. Pelo que vi na blogosfera leonina a única coisa que realmente existe é a segunda, o ódio. É que ninguém ama o que desconhece, já odiar o desconhecido é tão natural como respirar. E o Bruno de Carvalho é, realmente, um desconhecido. Um odiado desconhecido.

E porque odiamos nós este desconhecido? Porque preferimos um qualquer nome sonante a um qualquer Carvalho desta vida?

Os sportinguistas habituaram-se a ter orgulho em coisas supérfluas. Provavelmente a inexistência do hábito da vitória assim nos obrigou a ser, numa atitude de defesa, valorizando tudo o que estava além da simples vitória do adversário dentro do campo.

Nesse orgulho vão, referíamos, com paixão e convicção, que a maioria dos ministros eram do Sporting, tal como a maioria dos deputados, a maioria dos grandes gestores, a maioria dos grandes empresários, enfim, a maioria das pessoas que atingiram algum relevo público neste país de brandos costumes, onde a reverência está enraizada nas entranhas das suas gentes.

E assim nos habituamos a avaliar pessoas, particularmente no que toca a ser dirigente do nosso Sporting. Para todos nós, e para gáudio da comunicação social, ser dirigente do Sporting passou a exigir mais do que amar o clube, mais do que perceber alguma coisa de desporto, mais do que um milhar de coisas importantes na gestão de qualquer instituição. Ser dirigente do Sporting passou a exigir carácter aristocrático ou pelo menos a indicação, o conforto, por parte daqueles que são, perante a opinião pública, detentores desse carácter. É a chamada reserva moral, da qual nos tornamos totalmente reféns.

O Sporting, fruto da falta de vitórias, não só criou essa reserva moral como a tornou um monstro vivo. É que quando se ganha o povo está-se a borrifar para a reserva moral. Mas quando se perde esta torna-se quase tudo o que temos. Esta reserva tornou-se assim o repositório de todas as nossas esperanças, da qual acreditamos, de forma quase dogmática, que sairá o nosso tão ansiado Messias.

E é por isso que Bruno de Carvalho jamais será Presidente do Sporting Clube de Portugal. É que Bruno de Carvalho jamais terá o apoio da reserva moral do Sporting. Bruno de Carvalho optou por não preencher os requisitos messiânicos exigidos e como tal o único papel que vai ter na história do Sporting é o papel reservado a todos aqueles que ousaram questionar a ordem estabelecida, o papel do Anticristo.

E disto Bruno de Carvalho já não se vai safar, por uma razão simples. É que ele próprio quis assumir esse papel, desafiando a própria história, a sua própria história. É que, ao contrário do que muitos querem fazer crer, Bruno de Carvalho tinha todas as condições para ser o próximo Messias, o protegido da reserva moral.

Basta ser um  pouco perspicaz e ver o que é a Fundação Aragão Pinto, à qual Bruno de Carvalho preside, e quem foi o próprio Aragão Pinto (digo-vos apenas que tinha Roquette no nome, era descendente directo do nosso fundador e primo de alguns dessa tal reserva moral, incluindo ex-presidentes, tendo pertencido a conselhos leoninos em plena era roquettista), para facilmente percebermos que Bruno de Carvalho teve todas as condições para ser o tal.

Portanto, a pergunta mais do que óbvia, que a mim mais me intriga, é muito simples:

Porque optou Bruno de Carvalho por não ser o tal, o escolhido?

A resposta é, necessariamente, complexa. O próprio não saberá explicar muito bem, e eu muito menos. E, como tal, as pessoas duvidam. E, como tal, as pessoas criam preconceitos. E não conseguindo ficar indiferentes ao seu carisma, as pessoas duvidam ainda mais. E mais preconceitos criam. Até que, percebendo que este não pode ser o escolhido, porque não o quis ser, o oposto terá de ser. O rótulo fica-lhe, definitivamente, atribuído. Bruno de Carvalho é o Anticristo do Sporting. E os anticristos não existem para governar. Existem apenas para ser queimados. E que bela fogueira de vaidades temos nós para cremar este Anticristo.

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