Sporting, amo-te, mas já não te suporto.

O Sporting vive um clima de divórcio entre o seu presidente e o seu treinador. Mais uma novela leonina, daquelas bem surreais, que imaginávamos serem coisa do passado, mas que afinal regressaram em força, com uma vivacidade difícil de encontrar paralelo nesse passado que nos parecia distante.

Inevitavelmente pensamos em Moutinho, uma maçã podre no nosso balneário mas que foi campeão e deixou saudade noutras bandas. Pensamos em Mourinho, que já com contrato apalavrado foi reprovado pelos adeptos porque… nos tinha ganho 3-0. Como sabemos, acabou campeão europeu nessas mesmas outras bandas. E pensamos ainda em Robson e no seu hilariante despedimento quando era líder do campeonato. Como também sabemos, acabou campeão, nas bandas do costume.

Não sei se Marco Silva será mais um episódio deste género, até porque há agora outras bandas mais próximas capazes de fazer o mesmo, mas o desastre em termos de comunicação que assolou o Sporting e o seu presidente em particular não auguram um final feliz para quem, como eu, gostava de ver um treinador minimamente competente mais de uma época seguida em Alvalade. E confesso que considero o Marco minimamente competente. Não vou mais longe.

E porque também gosto do Bruno, e também o considero minimamente competente, deixo-lhe apenas um conselho. Olhe para os treinadores de grande sucesso nos últimos anos. Conhece algum que não tenha fechado o grupo sobre si próprio? Qual o segredo do sucesso do Mourinho? Guardiola? Sir Alex Ferguson? Ou até Jesus? Obviamente que para qualquer jogador que tenha passado pela mão destes treinadores a peça mais importante é o próprio treinador e nunca qualquer outro dirigente. É uma questão de confiança, porque quem decide os 11 que sobem ao relvado e os que ficam de fora é sempre o mesmo, o treinador. Quanto maior for essa confiança e menores as interferências externas, mais forte será o grupo. E isto parece-me tão evidente que, de facto, custa-me ver uma novela destas, quando o próprio Bruno seria um dos maiores beneficiários desse eventual isolamento do grupo de trabalho, caso o mesmo tivesse resultados desportivos, como eu acredito que seria (ou será…) possível.

E nós, adeptos, com o que ficamos? Nós, adeptos, somos a merda que fica agarrada ao papel higiénico. Dizem para não acreditarmos nos jornais, nisto e naquilo, mas quando os protagonistas abrem a boca acabam ainda por tornar mais surreal a história. Todos vivem desta loucura que é o amor incondicional por um clube. Uns vendem, outros promovem-se, outros gerem a sua imagem, outros mentem, outros insultam-se. E no meio desta merda toda ainda nos pedem para sermos racionais a filtrar a informação…

Isto é demais para um simples adepto e sócio como eu. E confesso que estou farto.

Acho que cheguei àquele ponto a que alguns velhotes chegam, mas que nunca tinha percebido muito bem como era possível, atendendo ao amor que tenho pelo Sporting. A necessidade de me afastar do próprio Sporting.

O amor não acabou, bem pelo contrário. Acontece que esse amor é demasiado viciante e diria até, inversamente proporcional aos títulos conquistados, o que torna o Sporting uma obsessão, uma verdadeira patologia, capaz de nos alienar do mundo real, por horas, dias, ou até semanas…

Quando ganhamos tudo parece correr bem. O céu é o limite. Quando perdemos, o inferno desce à terra e torna insuportável não só o nosso quotidiano, mas também a vida de quem nos rodeia e nos é mais próximo.

No outro dia, num dos habituais passeios pela blogosfera leonina, encontrei esta música. Já conhecia a sua existência, mas nunca a tinha ouvido de forma tão comprometida. Andei dias e noites com o refrão na cabeça… Tornou-se uma obsessão. Mais uma… todas com um denominador comum, o Sporting.

Depois empatamos em casa. E o inferno voltou. E a música ainda mais vezes ouvida, como refúgio, tornava-se real. A minha vida, a minha família, tudo era o Sporting. Parecia que o resto não existia. Aqueles que estavam à minha volta, aqueles que eu mais amo, pareciam uns estranhos, por simplesmente não sentirem o mesmo que eu.

Quando resolvi voltar ao mundo dos vivos, já dias se tinham passado desde o tal empate. Não havia futebol e já se podia viver novamente. Falei então com a minha mulher. Onde tinha estado eu estes dias? Conversamos. Pela primeira vez admiti que isto do Sporting podia, de facto, ser um problema. A minha mulher não era do Sporting, mas percebendo a paixão que sentia, foi moldando as suas simpatias e não teve dúvidas em encaminhar os nossos filhos para o reino do leão. Era simplesmente uma questão de “bom” ambiente familiar, pensei, mas quando ela me admitiu que chegava a rezar para que o Sporting ganhasse, só para que eu não deixasse de existir durante uns dias, foi então que percebi que algo estava muito mal.

Apesar da minha paixão pelo Sporting, na verdade nunca tinha rezado para que o Sporting vencesse. E quando me apercebi que outros o faziam por mim, apenas para me resgatar de uma espécie de limbo, não podia, em consciência, deixar tudo igual.

Há, de facto, coisas muito mais importantes do que o Sporting. E a família é a principal coisa dessas coisas. Afectá-la com uma vivência excessiva do nosso clube não é só uma loucura, é uma grande estupidez.

Obviamente que serei sempre sportinguista, que gostaria que os meus filhos também fossem sportinguistas convictos, que vibrarei com as conquistas futuras do Sporting, se elas sucederem, e que continuarei sócio, pois acredito nas virtudes do desporto, e essa é uma forma de contribuir para esse desígnio, através do clube do meu coração. Mas não posso viver mais o Sporting de forma constante e viciante como vivia, sonhando com uma utopia cada vez mais difícil de alcançar, e sempre em prejuízo daqueles que me são mais próximos e que eu mais amo.

Na verdade o Sporting tornou-se naquela amante de sonho, naquela gaja fabulosa, que põe tudo em causa, com a qual sonhamos estar e que torna a nossa própria casa num mar de defeitos. Até que percebemos que para ela somos apenas mais um. E que bom é regressar ao lar…

A única diferença é que uma gaja esquece-se. O Sporting não. Até porque somos inundados diariamente com informação e mais informação e o Sporting está sempre lá, a convidar-nos para regressar à sua alcofa.

Resta-me, pois, fazer como John Nash (A Beautiful Mind) relativamente aos personagens que apenas existiam na sua imaginação e que nunca desapareceram. Aprender a viver com eles, à distância…

Até sempre, Sporting.

SL

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Começo a achar que o único caminho para a Champions é ganhar a Liga Europa!

Este Sporting não tem estofo emocional para o nosso campeonato. É que estas equipinhas de merda já não são como antigamente, em que treinavam em pelados, três vezes por semana, e entravam borradas de medo em Alvalade. Estes gajos são profissionais, treinam todos os dias, estudam os adversários, têm empresários e estão mortinhos por fazer o contrato da vida deles!

Portanto, o problema em Alvalade não é do Maurício, nem do Sarr e muito menos do Rosell. Aliás, qualquer um deles num Moreirense era já uma das revelações do campeonato. Vale uma aposta? O problema é a intensidade! Intensidade essa que nos faz jogar melhor na europa do que em casa. Falta muita atitude nos jogos caseiros! E isto num campeonato com 34 jornadas é fundamental para se conseguir alcançar os objectivos.

E aqui, por muito que se tente culpar o plantel, o treinador é o principal responsável. Sejamos sérios. É muito difícil competir com slb e fcp pela diferença de orçamento, mas o mesmo se aplica às restantes equipas em relação a nós, pelo que, o 3° lugar, pelo menos, tem que ser incontestável! E eu vejo esse 3° lugar bem difícil, perante dois adversários que aparentemente são mais fracos mas que nos dão um banho de intensidade, como é o caso dos rivais minhotos. E esta constatação é muito triste. Não só porque devíamos estar a comparar-nos com os dois rivais de sempre, mas sobretudo porque olhamos para os rivais de circunstância e percebemos que afinal podemos não ser melhores…

Daí achar que o caminho mais fácil para este Sporting garantir o acesso à Champions no próximo ano, por mais absurdo que pareça, é ganhar a Liga Europa. Os jogadores são os mesmos, mas a mentalidade é outra, bem melhor do que a caseira.

Espero que até essa eliminatória europeia as coisas melhorem substancialmente, mas para isso acontecer entendo ser importante o seguinte:

– Manter a confiança no Marco Silva. Se a desconfiança sobre ele começa a desenvolver-se, quer na estrutura, quer no balneário, estamos fodidos. Além disso, está na hora de o Sporting ter o mesmo treinador duas épocas seguidas, pelo menos. Não nos podemos esquecer que o Marco pouco influenciou o plantel actual. E eu acredito que se aprende muito com estabilidade nos cargos técnicos. E não é só por olhar para os vizinhos, mas também.

– Mas o Marco tem também que promover mais rotatividade. Marco parece a antítese do lopetegui. E assim não dá. Pelo menos em termos caseiros é fundamental dar mais minutos a jogadores que supostamente treinam de forma competente e estão ansiosos para mostrar que são uma opção. É que isso pode ser o tal “clic” entre intensidade e falta dela.

– Por fim, um ataque criterioso ao mercado em Janeiro, como é óbvio. Sem loucuras, porque isso dava a entender que estaríamos a cometer os mesmos erros do passado, mas com ambição. Sobretudo captar mais experiência para o eixo defensivo, capaz de dar segurança e fazer o Paulo Oliveira transformar-se no melhor central português do futuro, é fundamental. Eu sei que não é possível, mas era mesmo o Ricardo Carvalho… ou um clone.

SL

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O problema do Bruno não é o populismo nem o egocentrismo. É o isolamento!

Antes de mais – se fosse hoje o acto eleitoral para o Sporting e as candidaturas fossem as mesmas continuaria a votar no BdC sem qualquer dúvida. O Sporting precisava de romper com um passado dirigente e só BdC mostrava essa clara determinação. Aliás, neste aspecto, temos que reconhecer que foi bem sucedido.

Mas nem tudo são rosas, como o próprio reconhece. Só que, ao contrário do que muitos críticos sugerem, não creio que o problema de Bruno esteja no seu populismo ou no seu, evidente, egocentrismo.

Aliás, basta olhar para os presidentes dos dois rivais para perceber que essas características não são necessariamente contrárias ao sucesso desportivo. Aliás, sendo o futebol um desporto popular e o clubismo algo de irracional, o populismo é inevitável! E obviamente que populismo e egocentrismo andam sempre de mãos dadas, ou já conheceram algum populista que não se ache o maior? Sim, eu sei que continua a existir uma linha de pensamento, muito nossa aliás, que acha que podemos e devemos ser diferentes. Mas não foi isso que tivemos anos a fio após Sousa Cintra? Tecnocratas discretos a mandar no clube? E os resultados? Portanto, acho que as críticas baseadas somente nestas características não são relevantes, atendendo ao que é o mundo da bola.

No entanto, um “bom” populista normalmente sabe que para potenciar essa estratégia tem de ter aliados, designadamente nos meios de comunicação social. E aqui é que a porca torce o rabo! E de que maneira! De facto, neste aspecto, BdC parece estar mais isolado do que nunca e não pode achar que são os meios de comunicação oficiais do clube que podem resolver a situação. A SportingTV é uma ferramenta excelente, mas as suas audiências não se comparam aos canais generalistas que falam da bola em geral e do Sporting em particular diariamente. E nem sequer vale a pena comparar o semanário jornal Sporting que chega a uns poucos de milhares de sportinguistas com os três jornais desportivos nacionais que são diários e chegam a milhões de pessoas.

Ou seja, a estratégia populista, em si própria não seria má, até porque nem sequer é inovadora, o problema é tentar implementá-la exclusivamente através dos canais próprios do clube, hostilizando todos os outros. É que isto, inevitavelmente, gera reacções e como o que vende são as notícias (sejam boas ou más) existe um campo muito fértil para o ataque sistemático à instituição Sporting através do seu rosto principal, o Presidente.

O maior exemplo disto mesmo foi a entrevista de ontem à noite na SportingTV, na qual estavam os directores dos 3 jornais desportivos. É que a esmagadora maioria das pessoas não viu nem vai ver o programa na íntegra, mas sim o feedback dos tais três jornais, da restante imprensa escrita e das televisões. Isto é óbvio! E portanto, em termos de comunicação, interessa muito mais o feedback do que o próprio programa em si. E isto, meus amigos, trabalha-se!

BdC está numa estratégia de isolamento que se não resultar rapidamente em bons resultados desportivos será catastrófica. E quando acho que será catastrófica, nem considero que seja para o Sporting, pois o seu trabalho no clube tem muitas virtudes, como há muito não se via, desde logo em termos financeiros. O catastrófico vai ser para ele próprio, pois o isolamento sem resultados traz cada vez mais vozes críticas e cada vez menos vozes compreensivas.

Portanto, BdC só tem duas alternativas: ou muda o seu relacionamento com os media, no sentido de garantir mais neutralidade e menos hostilidade, ou então tem mesmo que rezar (dentro ou fora do balneário, tanto faz) para que a sua equipa de futebol cale meio mundo e se torne a máquina de futebol que todos desejamos.

Racionalmente acho que BdC devia optar pela primeira via, mas sabendo que vai optar pela segunda, não deixo de desejar que tenha sucesso. Na verdade até tinha mais piada!

SL

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O funeral leonino, à 10ª jornada.

Ainda faltam 24 jornadas para o fim do campeonato e a coisa, à boa maneira leonina, começa a ser penosa.

Alguns dizem que só sabemos jogar com equipas boas. Não sei o que é uma equipa boa, mas sei que o Sporting está em sétimo e não ganhou a nenhuma equipa que está à sua frente no campeonato. Isto inclui Guimarães, Belenenses, Paços de Ferreira, além dos dois históricos rivais, faltando nesta lista o Braga contra quem ainda não jogamos.

Por outro lado, das 4 vitórias, 3 foram contra os 3 últimos classificados, sobrando o Marítimo no meio da tabela.

O optimista poderá sempre pensar – já jogamos contra 5 dos 6 que estão à nossa frente, agora é mais fácil – sem dúvida! Mas nós não éramos aquela equipa que só sabia jogar contra os mais fortes?

Os rivais fazem-nos o funeral, mais do justo, pois faríamos o mesmo se qualquer um deles estivesse em sétimo à 10ª jornada. E o universo leonino adensa-se na sua bipolaridade habitual. De quem é a culpa? Bruno de Carvalho? Marco Silva? Jogadores? Só alguns? Os árbitros, esses coisos? Vamos dar mais tempo ou acenamos já o lencinho? Afinal o Paulo Fonseca não é nada mau… Sempre disse que o Marco era bom é pró Estoril… E outras coisas que tal.

Eu também tenho a minha opinião, é claro. E é simples. Temos o terceiro melhor plantel de Portugal. Estamos a léguas dos dois melhores, mas também estamos a léguas de todos os outros (exceptuando o Braga). Num cenário de normalidade, acabaríamos em terceiro, com o Braga a morder os calcanhares. Mas como a normalidade não faz parte da coisa, um gajo sonha sempre que pode ganhar aos favoritos. E tal como nós sonhamos ganhar aos outros dois, os restantes 15 sonham ganhar ao Sporting. E conseguem! Ou seja, nós também conseguimos! Afinal a que é que tudo se resume? Mentalidade? Não só, mas também. E aqui nós falhamos. E falhamos muito! Não sabemos gerir expectativas e isso é terrível para quem sabe que não tem a qualidade que nós todos gostaríamos que tivessem – os jogadores. Estes miúdos gostam de sonhar alto, têm margem para encurtar distâncias para os melhores, mas eles próprios sabem que ainda não são os melhores e que a responsabilidade de ganhar a tudo e a todos de um momento para o outro não é realista. E depois, quando sofrem um golo de uma equipa teoricamente pior, em vez de pensarem – “vamos lá resolver isto” – tendem a pensar – “se calhar não somos assim tão bons” – e isto reflecte-se, inevitavelmente, na produção de toda a equipa.

O problema é que depois de se criar tanta expectativa, retroceder pode ser ainda mais perverso, pois pode instaurar permanentemente o sentimento de inferioridade.

Assim, resta ao Marco e aos seus jogadores encontrar um antídoto contra o veneno presidencial que foi a candidatura ao título já nesta época. Esperemos que os rapazes estejam à altura. Os indícios não são bons, mais ainda não é Natal.

Uma coisa é certa – mudar de treinador é uma imbecilidade absoluta. E ter a certeza disso, atendendo ao nosso histórico,  já não é nada mau.

SL

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Sporting 8-0 Schalke, Benfica 1-2 Monaco, Athletic 0-0 Porto

Não, não foi nenhum delírio. Refere-se, apenas, ao número de titulares portugueses nesta última jornada europeia em que as equipas lusas saíram todas vitoriosas.

Só para memória futura, já que isto parece interessar a muito poucos.

A mim, particularmente, e como já várias vezes escrevi, deixa-me orgulhoso. Os nomes ainda têm um significado, e o nosso, Sporting Clube de Portugal, nunca fez tanto sentido.

SL

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Vitória SC mostra que Sporting pode, e deve, sonhar alto, mas nunca pode perder a humildade.

Quando dizem que não podemos competir com slb e fcp por causa do orçamento, não podemos esquecer que entre o Sporting e quase todos os outros a diferença é ainda maior do que aquela que nos separa dos eternos rivais.

E isso não impediu que ontem à noite, em Guimarães, o Sporting fosse totalmente dominado por um clube que está a usar, à sua escala, uma estratégia em tudo semelhante ao Sporting – jogadores jovens, essencialmente portugueses ou da sua formação.

E como tal, antes de mais, os meus parabéns ao Vitória SC. E, depois, um obrigado. Um obrigado pela lição, pois este Vitória SC mostra, como já muitas vezes outras equipas mostraram no passado, que o orçamento é apenas uma variável do jogo, tal como é a garra, a determinação e a humildade.

Ninguém questiona que o Sporting tem jogadores tecnicamente mais evoluídos, mas ontem à noite, não houve um, nem mesmo Nani (porventura o melhor jogador a actuar em Portugal), que tivesse sido melhor do que qualquer jogador do Vitória SC.

E isto evidencia outra grande lição – é que a bola é um jogo colectivo, em que a solidariedade, a intensidade e a concentração têm que ser permanentes. Se os melhores tiverem falhas nessa solidariedade, na intensidade e na concentração em todos os momentos do jogo, os menos bons terão as suas oportunidades. E se os menos bons forem exemplares na solidariedade, na intensidade e na concentração, dificilmente os melhores terão boas oportunidades.

É claro que depois há a genialidade de alguns, os erros circunstanciais de outros, os árbitros e afins, mas isso nem sempre aparece e mesmo que apareça pode não ser suficiente. Ontem, em Guimarães, os génios dos “melhores” não apareceram, os erros dos “piores” também não e mesmo que se anulasse um golo irregular, os “piores” continuariam a ganhar claramente aos “melhores”. E ganhariam 10 em cada 10 jogos que fossem jogados com a diferença que se viu na solidariedade, na intensidade e na concentração.

Portanto, se ainda queremos ir a algum lado e surpreender os profetas da desgraça que inevitavelmente surgirão com a derrota de ontem, o jogo do Vitória SC deve servir de cartilha para TODOS os jogos até final da época, seja com o Chelsea, seja com o Espinho.

E se assim for, e acredito que seja, pois considero os rapazes inteligentes e ambiciosos, e o Marco um bom treinador, só posso dizer – obrigado pela lição Vitória SC!

SL

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Uma noite à Sporting. Como tantas outras…

Foram noites como a de ontem que me levaram a criar este blog. E é inevitável escrever, depois daquele duplo lapso, num exercício de auto-psicanálise. É que os defesas podem ser uma merda, tudo pode ser medíocre, mas dois erros no mesmo lance, totalmente inofensivo, aos 92min de jogo, contra uma equipa que já tinha dado o jogo como perdido??? É inacreditável… E desculpem-me os outros (não tem nada que desculpar – dirão eles, como é óbvio) mas isto é mesmo uma coisa muito nossa. Não é qualquer clube que se pode gabar deste triste fado leonino.

E assim, ontem à noite, em muitos lares deste país, e não só, a chuva abundante foi acompanhada de um dilúvio de sentimentos, no sofá, na cama ou na sanita, muitos ficaram a pensar – se o Dier não tivesse saído… – onde anda o Nuno Reis? – afinal o Rojo é que era! – Se aquele Mané soubesse cabecear… – Falta confiança ao Slimani – Aquele Carrillo não tem pé esquerdo, mas valia ter feito uma trivela! – and so on…

E como todos nós, sportinguistas, sabemos, deste mix de sentimentos ao abismo, ou seja, ao colocar tudo em causa, é um instantinho. Nem é preciso ver a blogosfera para perceber isso. É intrínseco à nossa condição humana, e então à condição sportinguista…. nem se fala!

Portanto, alguns já pedirão a cabeça de Marco Silva, outros  pedirão a cabeça de Inácio e muitos outros, de forma muito mais incisiva, pedirão a cabeça de Bruno de Carvalho – É que o gajo fala de mais, e depois os defesas centrais falham aos 92 min… É claro! Surpresa? Para mim não…

E é assim o admirável mundo sportinguista. De repente parece que qualquer um até já pode ser presidente – Este Bruninho é um artista e os sportinguistas que não se enganem com a Sporting TV, com o Pavilhão, com a apresentação de resultados positivos, mesmo sem a venda de todo o plantel, etc. – tudo se resume, afinal, à falha de Maurício e Sarr. E já há, certamente, quem anseie o regresso aos gloriosos tempos pós-2001, em que o Sporting dominou, a seu belo prazer, o futebol português.

E tudo isto, consequência de 90 + 2 minutos de futebol… Ah! Até me esquecia… E não é que até jogamos bem à bola? Pormenores…

SL

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